Anemia é uma das doenças mais conhecidas pela população. Se a criança está pálida, meio sem ânimo e fica cansada rapidamente, logo vem alguém que aconselha a mãe a caprichar na alimentação ou a dar-lhe "umas vitaminas", pois pode ser a doença. Porém, as pessoas não podem esquecer que mesmo sendo um mal popular, é preciso procurar um médico para dar orientações sobre o tratamento correto.
Para informar melhor sobre os sintomas, os tipos de anemia e os tratamentos para tratar a doença, o JD entrevistou o pediatra Éder Carvalho Sousa.
JD - O que caracteriza a anemia?
Dr. Éder - É a taxa baixa de hemoglobina no sangue. De uma maneira geral a Organização Mundial de Saúde (OMS), reconhece como anemia a dosagem de hemoglobina inferior a 11gramas por decilitro no sangue. Porém, você tem as variações da taxa de hemoglobina em relação à idade, sexo e na infância temos considerado esse limite.
JD - Qual é a causa mais frequente da doença?
Dr. Éder - Certamente a causa mais frequente de anemia é a carencial, que é motivada por uma alimentação pobre em ferro e outros nutrientes como a vitamina B12 e o ácido fólico que são importantes para manter a taxa de hemoglobina em um nível saudável. A anemia mais comum é a ferropriva, causada por uma ingestão baixa de ferro na alimentação.
JD - O ferro é retirado especialmente de quais alimentos?
Dr. Éder - As principais fontes de ferro são: a carne, as vísceras como coração, fígado e etc; e os vegetais principalmente as que têm as folhas bem verdes como: a couve, brócolis, espinafre, alface, quanto mais verde mais ferro ela tem. As leguminosas que são os grãos como: feijão, ervilha, lentilha e grão de bico. Os legumes também têm uma quantidade razoável de ferro, assim como a gema de ovo.
JD - Qual a melhor alimentação para crianças com anemia?
Dr. Éder - A melhor alimentação é a voltada para vegetais: legumes e verduras. É importante destacarmos que o leite é um fator alimentar muito negativo em relação à anemia, ele tem pouquíssimo ferro, e é um ferro mal absorvido pelo organismo. Porém, muitas crianças, usam o leite como sua fonte principal de alimento por um tempo longo. O leite é muito importante no começo da vida, mas a partir dos dois anos já perde a importância na alimentação. O importante é diversificarmos a alimentação, a partir de seis meses porque a criança precisa de refeição como o almoço e jantar para que ela possa ter outras fontes de nutrientes; e o leite deve ser evitado como fonte única alimentar.
JD - Como se dá a perda de ferro nos pequenos? (Sintomas)
Dr. Éder - A perda de ferro é uma situação menos comum, o mais comum é uma taxa baixa de hemoglobina por carência da ingestão de ferro. Em especial as crianças podem ter sim uma situação de perda de ferro, por causa das verminoses, uma boa parte dos vermes prejudica muito a absorção da substância pelo organismo, porque eles ficam aderidos ao intestino e retirando sangue da criança. Então entra aí a lombriga, ascaridíase, helmintos e os protozoários como a giárdia que se proliferam e acabam atapetando a mucosa intestinal e prejudicando a absorção de nutrientes e do ferro.
Sintomas – As anemias têm diferentes graus. Nos quadros mais leves muitas vezes não tem sintomas específicos. De uma maneira geral a doença causa um desânimo e apatia na criança, ela fica mais prostada, menos disposta às atividades do dia a dia, desinteresse alimentar e um cansaço fácil. Enfim, ela tem uma atividade menor, dificuldade de ganhar peso e diminui o rendimento escolar, e outras atividades ficam comprometidas. Então são sintomas sutis e insidiosos que vão indicando que a criança não está bem.
JD - Quais os tipos mais frequentes da doença na garotada? (Talassemia, Anemia falciforme)
Dr. Éder - A mais comum é a anemia carencial. Também não podemos esquecer a incidência das hemoglobinopatias que são situações em que a criança já nasce com essas doenças. Já a anemia falciforme, quem é mais propenso a ter são as pessoas da raça negra e as talassemias são uma característica de doença dos descendentes de italianos, falamos que é a anemia do mediterrâneo, que são anemias congênitas, onde as crianças nascem com anormalidade na produção de hemoglobina.
JD - Às vezes, as mães decidem dar por conta própria um fortificante com ferro para o filho que está pálido. O que isso pode acarretar?
Dr. Éder - O ideal é sempre usar medicamentos com um diagnóstico apropriado para cada caso. Porque você muitas vezes pode estar dando ferro desnecessariamente e tem situações que o excesso pode ser prejudicial ao organismo em relação à excreção renal ou outro efeito colateral por uso prolongado, exagerado e indiscriminado é a impregnação de ferro principalmente no esmalte dos dentes, ou seja, eles ficam escuros. Tudo na medicina é melhor se fazer um bom diagnóstico, para se conduzir bem o tratamento.
Porém, essas mães que estão preocupadas com a questão da anemia têm muitas vezes razão. Entretanto elas devem fundamentalmente trabalhar na linha da alimentação e evitar alimentos que prejudiquem a absorção de ferro no organismo, e estamos falando em evitar e restringir a ingestão de doces, salgadinhos, bolachas e refrigerantes, coisas que não são saudáveis, e sim privilegiar a oferta de alimentos que sejam nutritivos e que tenham nutrientes bons e inclusive ferro para a criança. Acredito que essas mudanças na alimentação beneficiam mais do que ficar dando remédios ou vitaminas que contenham ferro e que não sabemos se vão beneficiar realmente aquela criança.
JD - Cada tipo de anemia tem uma abordagem terapêutica diferente. Em linhas gerais como deve ser o tratamento?
Dr. Éder - Depende da causa. Se for uma anemia ferropriva, você tem que fazer uma suplementação desse ferro, e dependendo do grau temos que fazer um tratamento por um tempo longo. Vale lembrar que os estoques de ferro do organismo são reposto lentamente e muitas vezes têm que usar esses suplementos por um período de três meses e às vezes mais, em alguns casos faz o uso injetável do ferro. Quanto às causas genéticas você não tem a possibilidade de tratamento medicamentoso e sim terá que fazer um acompanhamento e uma classificação para distinguir os diferentes graus de gravidade da doença, normalmente o hematologista é quem vai fazer esse acompanhamento.